Meia afirma que resultado e performance do Brasil nos 3 a 0 sobre o Haiti foram compatíveis com o que os atletas esperavam
Lucas Paquetá, um dos destaques do Brasil nos 3 a 0 sobre o Haiti com bonita assistência e roubada de bola em um dos gols, deu entrevista coletiva em Nova Jersey. O atleta de 28 anos celebrou a volta de Neymar aos treinamentos – neste domingo, o camisa 10 participou de seu primeiro treino completo com a Seleção.
– Estamos todos felizes com a volta dele, de volta a treinar e de estar em campo com todo nós. É um cara importantíssimo para a nossa Seleção, tem uma história linda aqui e que ainda pode nos ajudar muito. É muito importante, assim como todos os jogadores do elenco. Estamos felizes por ele, pela volta dele, e esperamos que ele possa estar em campo o quanto antes nos ajudando.
Paquetá também falou de outra figura crucial do plantel de Ancelotti, o atacante Vini Jr., seu companheiro nos tempos de Flamengo, com quem mantém o entrosamento da época em que eram Garotos do Ninho, tanto na bola quanto nas dancinhas após os gols.
– A gente tem uma amizade muito bonita, de muito tempo. Vi o Vini ainda muito novinho, criamos esse laço desde a época do Flamengo. A gente fica muito feliz de estar junto, independentemente de estar na Seleção ou torcendo de longe. É um cara que admiro muito, tenho respeito enorme por ele. Sem dúvida que estar com ele aqui e vivendo mais uma Copa do Mundo é especial demais para nós
O meio-campista do Flamengo considerou o resultado e a performance compatíveis com o que os atletas esperavam em relação ao desenvolvimento coletivo.
– Acho que fizemos um bom jogo dentro da nossa expectativa de melhorar a nossa qualidade técnica, o nosso jogo com bola, construímos uma vitória boa. É um jogo que traz confiança para a gente seguir crescendo na competição.
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Se considera opção para substituir o Raphinha pela direita?
– Sempre me coloco à disposição para ajudar, fazer o meu melhor. É uma pergunta que, graças a Deus, não preciso responder porque é uma dúvida para o professor, ele é quem decide. Mas acho que independentemente de nomes está todo mundo preparado para entrar e fazer seu melhor.
Qual a orientação do Ancelotti em termos de posicionamento?
– Acho que é uma função que faço e fiz durante grande parte da minha carreira. É um jogador de meio de campo ajudando defensivamente e na construção das jogadas. O Mister sempre pede para colocar para fora minhas características, ele não me traz muito controle com bola. Ele pede para jogar à vontade, participar do jogo. E sem a bola fazer minhas habilidades defensivas. Faço muito à vontade porque é algo que estou acostumado a fazer.
Escócia
– Não só a Escócia, mas todas as equipes da Copa do Mundo são equipes que você deve respeitar, estudar e se preparar para enfrentar. A gente tem muito respeito pelo adversário, mas sabendo que temos que colocar em prática nosso jogo e fazer o que o Mister pede para nós para alcançarmos nossos objetivos, que é vencer.
Bastidores da lesão de Raphinha e mudanças constantes da escalação
– Todos ficamos tristes, o Rapha principalmente por esse pequeno empecilho que é a lesão. Mas ele tem o conforto e abraço de todos nós, isso que faz uma equipe. A gente torce para que possa se recuperar o quanto antes e se coloca à disposição para ajudar no que for preciso na recuperação. Ele trabalha muito, e tenho certeza que vai fazer o possível e impossível para voltar o quanto antes. Quanto à importância dele, dispensa comentários. Vem de temporadas incríveis e crescendo muito dentro da Seleção. É uma coisa que a gente tem que reestruturar rápido quando alguém como ele fica de fora. Mas bom, a lista foi muito bem escolhida pelo professor e quem for suprir a ausência dele vai fazer da melhor forma possível.
Acredita que você e Vini Jr. têm conseguido repetir o que apresentam no clube e vivem o melhor na Seleção?
– Acho que sim, o Vini vem em uma crescente muito boa na Seleção. Não que ele não vinha fazendo grandes jogos, mas agora com mais destaque, mais decisivo. Acho que isso tem muito a ver com a maneira de jogar, coisas particulares dele de se sentir a vontade. Agora ele tem um treinador, todos temos, um cara que ele já conhece, com quem se sente mais à vontade e tem mais confiança. Isso influencia, sim, um pouco. Fico feliz de viver esse momento junto com ele. Faz parte. Conforme você vai jogando junto, vai se entrosando mais, e às coisas vão acontecendo.
Quando voltou ao Flamengo, muitas pessoas consideraram seu movimento ousado. Temeu em algum momento não voltar à Seleção?
– Não temi, eu estava muito convicto da minha decisão. Depois de tudo que passei, eu tinha muito claro na minha cabeça o que eu queria. Eu queria reviver esse sonho de vestir a camisa do Flamengo. Claro que a Seleção sempre foi um objetivo, mas independentemente de clube, eu teria que estar fazendo o melhor no meu clube para alcançar espaço na Seleção. As dúvidas sempre são de fora, mas no meu coração é muito claro onde posso chegar. Muito feliz de estar aqui no grupo, sendo titular. E se não fosse, já seria uma alegria enorme estar aqui com a Seleção. Muito feliz.
Posicionamento
– Acho que para esse segundo jogo a gente foi mais definido de jogar com três no meio, diferentemente do outro, em que eu começava por fora e flutuava por dentro com mais liberdade. Essa mudança tática acaba definindo melhor a forma que a gente vai se entender entre os meio-campistas. Cunha tem uma característica diferente, ele permite uma mobilidade maior minha com ele, de uma troca, isso facilita um pouco que tenhamos superioridade no meio. Igor Thiago é mais de área, mais centralizado, são características diferente e para jogos diferentes. Nesse jogo encaixou muito bem, e fomos felizes de vencer.
Como blindar o grupo?
– Acho que todos nós passamos por momentos difíceis. A gente aprende desde cedo a blindar o que vem de fora porque não é isso que nos move, que nos vai fazer alcançar um objetivo, realizar um sonho. É trabalho, dedicação, o que a gente faz no campo. A gente aprende desde cedo a lidar com críticas, tenta filtrar o que pode servir de bom, de combustível e segue trabalhando porque é assim que a gente conquista as coisas.
Sobre comparações com favoritas como Argentina, França e Alemanha… Como lidam com a crítica coletiva?
– A gente tem a cabeça tranquila do que a gente veio fazer. Quebramos as expectativas do primeiro jogo sim. A gente melhorou, teve mais calma e acho que a gente tem que focar no que podemos fazer. Trabalhamos no objetivo de vencer mais uma Copa do Mundo. A gente está crescendo na competição, melhorou no segundo, espera melhorar ainda mais no terceiro. E se no fim conquistarmos o objetivo, nenhuma comparação importa.
Imaginava uma Copa tão equilibrada?
– Acho que sim. A cada Copa que passa, o futebol está mais equilibrado e mais difícil. Claro que existem seleções mais favoritas em certos confrontos, mas no campo é 11 contra 11, o dia de um e não o dia de outro. Tem que procurar fazer seu melhor, a equipe que erra menos tem vencido, e Copa é sempre Copa, são sempre jogos difíceis.
Terminar em primeiro lugar é um objetivo para não ter que mudar a logística e eventualmente ter que viajar para o México?
– Nosso objetivo é passar em primeiro, estamos trabalhando para isso. É uma logística que favorece nas viagens, no tempo de descanso e na recuperação. É um objetivo nosso e vamos em busca disso.
Qual o maior aprendizado nos últimos quatro anos?
– Aprendi muita coisa nesses quatro anos que passei, particularmente por tudo que eu vivi, aprendi a dar mais valor às coisas, às coisas que conquisto. Hoje estar na Seleção enxergo uma gratidão ainda maior, por ter oportunidade novamente de estar daqui. É dar mais valor ao que a gente tem, ao que a gente conquistou, com nosso trabalho, nosso suor e seguir trabalhando para conquistar mais coisas.
Há o espírito de entender que é a última Copa do Neymar e de se fechar?
– Acho que sim. Para a gente chegar aqui a gente batalhou, lutou muito, passou por diversas situações. Esse orgulho vai além de somente ter cinco estrelas, isso é uma coisa que está na história do nosso país. Nossos ex-jogadores conquistaram com muitos méritos, nós jogadores nos orgulhamos de ter as cinco estrelas, mas também de representar o sonho de todos. Independentemente de ter amigo do outro lado, a gente quer esse sonho realizado, assim como todos vocês. E pretendemos fazer nosso melhor para que seja realizado.
Como é bom estar na Seleção?
– Toda vez que a gente veste a camisa antes de entrar no gramado e a gente se olha, vem esse sentimento de: “Caraca, a gente está aqui realizando nosso sonho. É especial demais poder viver de um sonho que parece distante quando a gente começa. Existem outros momentos, mas acho que esse de vestir a camisa prestes a entrar em campo é especial, e a gente se sente muito feliz.
O que a Seleção perde sem o Raphinha?
– O Rapha é importantíssimo para nós, todos nós conhecemos as suas valências, a velocidade que ele tem, o poder de atacar espaço, de finalização. Acho que a gente pede um jogador muito importante. Quanto a tempo, a gente não se atenta muito a isso, a gente espera que seja o mais rápido possível, a gente já o vê trabalhando de maneira intensiva para que a recuperação seja a mais breve possível. E estamos na torcida para que o quanto antes ele possa voltar a nos ajudar.
Por Bruno Cassucci e Cahê Mota — Nova Jersey, EUA
Foto – Reprodução