Estudo identifica proteína que pode abrir caminho para novos tratamentos contra o câncer

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Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) identificou uma proteína que poderá se tornar um importante alvo para o desenvolvimento de novos tratamentos contra o câncer. O estudo aponta que o bloqueio da proteína sindecam-4 (SDC4) interrompe a multiplicação de células tumorais e reduz sua capacidade de formar metástases.

Os resultados, publicados na revista científica Cytotechnology, indicam que a SDC4 desempenha papel fundamental na sobrevivência e na disseminação das células cancerígenas. Apesar do potencial da descoberta, os pesquisadores ressaltam que os estudos ainda estão em fase experimental e precisam ser confirmados em células tumorais humanas antes de qualquer aplicação clínica.

A proteína SDC4 está presente naturalmente na superfície das células e auxilia na adesão aos tecidos. Em diversos tipos de câncer, porém, ela passa a ser produzida em excesso, favorecendo o crescimento dos tumores e a invasão de outros órgãos.

Durante a pesquisa, os cientistas investigaram a chamada anoikis, um mecanismo natural de morte celular que impede que células desprendidas dos tecidos sobrevivam e se espalhem pelo organismo. Nas células cancerígenas, esse sistema costuma ser desativado, permitindo que elas circulem pela corrente sanguínea e originem metástases.

Em experimentos realizados em laboratório, os pesquisadores utilizaram células endoteliais de coelhos e observaram que aquelas que sobreviveram ao desprendimento apresentavam níveis elevados da proteína SDC4. Ao silenciar o gene responsável por sua produção, as células perderam a resistência à anoikis, voltaram a depender da adesão aos tecidos para sobreviver e apresentaram redução significativa da capacidade de invasão.

Além disso, o bloqueio da proteína aumentou a produção da proteína p27, responsável por frear a divisão celular, e reduziu a atividade das proteínas CDK4 e CDK6, essenciais para a multiplicação descontrolada das células tumorais.

Segundo a professora Carla Cristina Lopes, da Unifesp, a SDC4 poderá futuramente servir tanto como alvo para novos medicamentos quanto como biomarcador para acompanhar a evolução de diferentes tipos de câncer.

Os pesquisadores também iniciaram uma nova etapa de estudos para avaliar se o canabidiol (CBD), composto derivado da Cannabis sativa, pode interferir na atividade da SDC4. No entanto, eles destacam que essa investigação ainda está em estágio inicial e não há evidências de que o CBD possa ser utilizado como tratamento contra o câncer com essa finalidade.

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