Especialista recomenda primeira avaliação do colesterol por volta dos 10 anos e reforça importância da alimentação equilibrada e da atividade física
O cuidado com o colesterol não deve começar apenas na vida adulta. Segundo o cardiologista Renato Jorge Alves, vice-presidente do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a prevenção deve ser iniciada ainda na infância.
Em entrevista à Agência Brasil, o especialista destacou uma recomendação publicada em 2025 para que todas as pessoas façam a dosagem do colesterol aos 10 anos de idade. O exame pode ser realizado junto com a avaliação da glicose.
A medida é especialmente importante porque algumas pessoas podem apresentar níveis elevados de colesterol por fatores genéticos, independentemente do peso ou dos hábitos alimentares.
Alimentação e atividade física
Além do acompanhamento médico, a adoção de hábitos saudáveis é uma das principais formas de reduzir os fatores de risco para doenças cardiovasculares.
A orientação é manter uma alimentação equilibrada e evitar o consumo excessivo de gorduras saturadas, presentes principalmente em carnes vermelhas, embutidos, frios e alguns alimentos ricos em gordura. As gorduras trans, encontradas em diversos produtos ultraprocessados, também devem ser evitadas.
O cardiologista também alerta contra a chamada dieta carnívora, baseada exclusivamente no consumo de alimentos de origem animal. Segundo o especialista, esse padrão alimentar pode aumentar a ingestão de gordura saturada e, consequentemente, elevar o colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim.
A prática regular de exercícios também é recomendada. A orientação geral é acumular entre 150 e 300 minutos de atividade física por semana, de acordo com as condições e a orientação de cada pessoa.
Quando o colesterol pode indicar uma condição genética
Segundo Renato Alves, níveis de colesterol total acima de 300 mg/dL podem indicar uma forte possibilidade de origem genética. Nesses casos, as mudanças no estilo de vida podem não ser suficientes e o paciente pode precisar de tratamento medicamentoso.
Uma das condições relacionadas ao colesterol elevado é a hipercolesterolemia familiar, doença genética que pode provocar níveis muito altos da substância desde a infância.
O diagnóstico precoce é importante porque, sem tratamento adequado, a doença pode favorecer o surgimento de placas de gordura nas artérias e aumentar o risco de problemas cardiovasculares ainda em idade jovem.
Tratamento precisa de acompanhamento médico
As estatinas estão entre os medicamentos utilizados no tratamento do colesterol elevado, principalmente nos casos em que há indicação de redução mais intensa do LDL.
O especialista reforça que o tratamento não deve ser interrompido por conta própria. Caso os níveis de colesterol não atinjam a meta definida pelo médico, outros medicamentos podem ser associados.
Além do colesterol, fatores como hipertensão, diabetes, tabagismo e obesidade também aumentam o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
O sono inadequado e o estresse também podem interferir na saúde metabólica e cardiovascular. Por isso, a prevenção deve envolver um conjunto de hábitos e acompanhamento profissional.
Fonte – Agência Brasil
Foto – Marcello Casal Jr/Agência Brasil