Fila do INSS diminui, mas número de benefícios negados cresce em 2026

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Mais de 4,3 milhões de pedidos foram indeferidos no primeiro semestre, enquanto estoque de requerimentos caiu de 3,1 milhões para 1,5 milhão

A fila de espera do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apresentou uma forte redução em 2026, mas o movimento veio acompanhado de um aumento significativo no número de benefícios negados.

Dados do Ministério da Previdência apontam que 4,3 milhões de solicitações foram indeferidas no primeiro semestre, enquanto 4,2 milhões de benefícios foram concedidos. Com isso, a taxa de negativas chegou a 50,5% no período.

Somente em junho, o INSS rejeitou 938,2 mil pedidos e concedeu 792,5 mil benefícios.

Entre janeiro e maio, a média mensal de indeferimentos chegou a 668,6 mil, aproximadamente 70% acima da média registrada no mesmo período de 2025, quando foram cerca de 395 mil negativas por mês.

Fila caiu pela metade

Enquanto o número de negativas aumentou, o estoque de pedidos aguardando análise diminuiu significativamente.

A fila chegou a 3,1 milhões de requerimentos em fevereiro e recuou para cerca de 1,5 milhão em julho, uma redução de mais da metade.

O governo estabeleceu como meta reduzir esse número para 1,3 milhão até setembro.

A Previdência, no entanto, considera como principal indicador o número de processos que aguardam análise há mais de 45 dias. Esse estoque caiu de 1,882 milhão para 486 mil solicitações, uma redução de aproximadamente 74%.

A queda é atribuída a medidas como pagamento de bônus a servidores, contratação de novos peritos médicos, mudanças no sistema Atestmed e realização de mutirões.

Mais benefícios também foram concedidos

A redução da fila não ocorreu apenas pelo aumento das negativas.

A média mensal de benefícios concedidos entre janeiro e maio passou de 608,6 mil para 683,8 mil, crescimento de 12,3% em relação ao mesmo período de 2025.

Mesmo assim, especialistas alertam que a diminuição do estoque precisa ser analisada também pela quantidade e pela qualidade das decisões tomadas pelo instituto.

A advogada previdenciarista Jéssica Matias avalia que o aumento das negativas merece atenção, embora os números, isoladamente, não permitam afirmar que os indeferimentos estejam incorretos.

Segundo ela, parte das negativas pode ocorrer porque o segurado não preenche os requisitos ou não apresentou a documentação necessária. Por outro lado, um crescimento expressivo nos indeferimentos pode aumentar a necessidade de recursos administrativos e ações judiciais.

Negativas podem aumentar judicialização

Para especialistas, uma eventual reversão de decisões do INSS pode transferir parte da demanda para os recursos administrativos e para o Poder Judiciário.

O advogado previdenciarista Eliseu Mariano afirma que, caso os indeferimentos sejam juridicamente consistentes, poucos devem ser revertidos. Entretanto, análises consideradas superficiais ou interpretações excessivamente restritivas podem levar segurados a buscar a revisão das decisões.

A avaliação é que o aumento da judicialização pode reduzir parte do efeito positivo obtido com a diminuição da fila.

Desafio continua

Apesar dos avanços, especialistas consideram que a redução do estoque não resolve os problemas estruturais do INSS.

Entre os desafios estão a falta de servidores, o aumento da demanda previdenciária, as mudanças frequentes na legislação e a necessidade de investimentos em tecnologia e capacitação.

A fila do instituto se tornou uma das principais cobranças sobre o governo federal desde a campanha presidencial de 2022.

Em abril deste ano, Gilberto Waller Júnior deixou a presidência do INSS em meio às cobranças relacionadas à demora na análise dos processos. Ele foi substituído por Ana Cristina Viana Silveira.

A expectativa do governo é manter o ritmo de redução do estoque nos próximos meses.

Fonte – Correio Braziliense

Foto –  Ed Alves/CB/D.A Press

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