Grupo também enfrenta quase 2 mil demissões e adiou divulgação do balanço do segundo trimestre; empresa informou que resultado será apresentado nesta segunda-feira (17)
O grupo Casas Bahia fechou 298 lojas em diferentes regiões do país nos últimos dias, como parte de um processo de reestruturação que também envolve quase 2 mil demissões. A companhia enfrenta dificuldades financeiras após registrar prejuízo de R$ 1,064 bilhão no primeiro trimestre de 2026.
O número de lojas fechadas representa cerca de 28,5% das 1.042 unidades da rede contabilizadas no fim de 2025. O movimento provocou preocupação entre trabalhadores e levou sindicatos a cobrarem informações sobre os desligamentos e o pagamento dos direitos trabalhistas.
A empresa também adiou a divulgação do balanço financeiro referente ao segundo trimestre. Inicialmente prevista para 12 de agosto, a publicação foi remarcada para o dia 14, mas não ocorreu. Procurada, a assessoria do grupo informou que os resultados serão divulgados nesta segunda-feira (17), quando também está prevista uma teleconferência com investidores.
Prejuízo bilionário
No primeiro trimestre deste ano, o grupo registrou prejuízo líquido de R$ 1,064 bilhão, aumento de 160,7% em relação à perda de R$ 408 milhões registrada no mesmo período de 2025.
No acumulado de 12 meses até março, o prejuízo chegou a R$ 3,6 bilhões. No mesmo período, o patrimônio líquido da companhia caiu de R$ 2,1 bilhões para R$ 1,8 bilhão.
A reestruturação busca reduzir despesas, reorganizar a operação e melhorar o fluxo de caixa da empresa, que também vem negociando prazos com fornecedores e buscando mudanças no ciclo financeiro do marketplace.
Demissões preocupam trabalhadores
O fechamento das unidades atingiu diferentes estados. Em Brasília, por exemplo, lojas tradicionais das Casas Bahia e do Ponto Frio, que integra o grupo, foram fechadas no Conjunto Nacional, além de unidades no Gama e em Taguatinga.
O Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região (Secor) manifestou preocupação com o encerramento das atividades e afirmou que adotará medidas para garantir os direitos dos trabalhadores.
Segundo a entidade, funcionários relataram que foram surpreendidos pela interrupção das operações e que ainda aguardavam informações sobre desligamentos, verbas rescisórias, liberação do FGTS, seguro-desemprego e demais direitos previstos na legislação trabalhista.
Estratégia para o comércio on-line
Apesar do cenário de dificuldades, o grupo busca ampliar sua atuação no comércio eletrônico por meio de parcerias com grandes marketplaces, como Mercado Livre, Amazon e Shopee.
Em relatório divulgado no fim de julho, o Itaú BBA avaliou que essas parcerias podem contribuir para melhorar a rentabilidade da companhia no comércio on-line. O banco também destacou a reestruturação da carteira de crédito ao consumidor, atualmente em R$ 6,3 bilhões.
A instituição, porém, mantém uma avaliação cautelosa diante do cenário de juros elevados e do risco de aumento da inadimplência, fatores que podem afetar a demanda por produtos de maior valor e dependentes de financiamento.
O balanço do segundo trimestre, previsto para ser divulgado nesta segunda-feira (17), deverá apresentar novos dados sobre a situação financeira da companhia e os efeitos das medidas de reestruturação.