Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos permite formalizar gratuitamente a vontade de ser doador por meio de cartórios de notas
Mais de 32 mil brasileiros já utilizaram a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (Aedo) para registrar formalmente a intenção de doar órgãos, tecidos ou partes do corpo após a morte. A iniciativa ganha destaque durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos.
O procedimento é gratuito e pode ser realizado pela internet, sem necessidade de comparecimento presencial ao cartório.
Para fazer o registro, o interessado deve acessar a plataforma da Aedo, disponível no e-Notariado, preencher os dados solicitados e escolher um cartório de notas. Depois, é realizada uma videoconferência com o tabelião para confirmar a identidade e a manifestação de vontade.
Após a assinatura eletrônica, o documento passa a integrar a Central Nacional de Doadores de Órgãos, que pode ser consultada por profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes.
O cidadão também pode especificar quais órgãos, tecidos ou partes do corpo deseja doar e tem a possibilidade de revogar a autorização posteriormente.
Mais de 49 mil pessoas aguardam transplante
O registro da intenção de doar ocorre em um cenário de alta demanda por transplantes no Brasil. Dados do Ministério da Saúde apontam que mais de 49 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante no país.
A maior parte da fila é formada por pacientes que precisam de um rim. Também há milhares de pessoas à espera de transplantes de córnea.
Desde a criação da Aedo, São Paulo concentra o maior número de manifestações, seguido por Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O sistema registra solicitações em todas as unidades da Federação.
Família continua tendo papel decisivo
Apesar de a manifestação formalizar a vontade do cidadão, a autorização familiar continua sendo necessária para a retirada de órgãos após a morte no Brasil.
Por isso, especialistas e entidades ligadas ao setor reforçam que registrar a intenção de doar não substitui uma conversa com os familiares.
A recomendação é que a pessoa comunique aos parentes sua decisão ainda em vida. Dessa forma, a família poderá conhecer previamente a vontade do potencial doador no momento em que uma autorização for necessária.
“Por isso, tão importante quanto registrar a vontade de ser doador é conversar sobre ela. A Aedo permite que essa manifestação fique formalizada e ajuda a levar esse assunto para dentro das famílias”, afirma Eduardo Calais, presidente do Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal.
O Dia Nacional de Doação de Órgãos é celebrado em 27 de setembro e integra as ações de conscientização do Setembro Verde.
Fonte: Agência Brasil
Foto: Divulgação/Ministério da Saúde