Mohamed Moustafa falou sobre a relação com a família Aziz e da afinidade religiosa com Omar, quando frequentavam terreiros de macumba
O médico e empresário Mohamed Moustafa concedeu entrevista coletiva na manhã deste sábado, 3/10, para se manifestar a público pela primeira vez após o aniversário de 10 anos da Operação Maus Caminhos, que investigou supostas irregularidades em contratos da Saúde do Amazonas nos governos de Omar Aziz e José Melo.
Mohamed ficou preso por 2,5 anos e hoje responde em liberdade. Ele declarou apoio à candidatura de Omar Aziz ao Governo Amazonas e disse que gostaria de recomeçar os negócios na administração pública e ter a oportunidade de voltar a prestar serviços para o Estado. Segundo ele, não há nenhum impedimento legal e, por enquanto, tem se dedicado exclusivamente à iniciativa privada.
Ele nega as acusações de que teria sido o pivô de um esquema que teria desviado mais de R$ 240 Milhões da Saúde do Amazonas. Mas confirma que tinha forte relação com a família Aziz, tendo sido médico particular da mãe do senador. Além disso, reitera que tinha uma relação de amizade, principalmente, com Murad Aziz, irmão de Omar, que é padrinho da filha de Mohamed. Murad é um dos três irmãos de Omar que foram presos pela Polícia Federal, assim como a ex-primeira dama Nejmi Aziz.
Mohamed também declarou que Omar e ele já foram irmãos de religião de matriz afro e que o senador ajudava a financiar e construir terreiros de macumba em Manaus. Ao ser questionado sobre o fato de ter alguma mágoa da família Aziz, o médico negou, mas disse que “se sentiu injustiçado e que não se pode abandonar quem caminhou junto nos bons momentos”.
Relembre o Caso:
A Operação Maus Caminhos foi deflagrada pela Polícia Federal em setembro de 2016 para investigar um esquema de desvio de recursos públicos destinados à saúde no Amazonas. O principal alvo foi o médico e empresário Mouhamad Moustafa, apontado pelo Ministério Público Federal como líder do núcleo empresarial investigado. O esquema envolvia o Instituto Novos Caminhos (INC), organização social responsável pela administração de unidades de saúde em Manaus, Tabatinga e Rio Preto da Eva. Segundo o MPF, entre 2014 e2015, mais de R$ 250 milhões dos recursos recebidos pelo INC teriam sido utilizados em operações fraudulentas, incluindo pagamentos sem contraprestação e superfaturamento.
Moustafa foi preso na primeira fase, em 2016. Seus desdobramentos alcançaram o núcleo político do governo José Melo e, posteriormente, pessoas ligadas à família Aziz, que foram presas, como a esposa do senador, Nejmi Aziz e os irmãos Murad, Amim e Mansur Aziz.
Estima-se que esse teria sido o maior escândalo da história política amazonense com um suposto esquema de corrupção que ganhou repercussão na imprensa nacional e desencadeou uma crise nos cofres públicos que afeta a prestação de serviços da Saúde até hoje.