A Justiça decretou a prisão de cinco homens investigados pelo estupro coletivo de uma adolescente indígena de 15 anos, ocorrido em uma comunidade de Itamarati, no interior do Amazonas. O crime aconteceu no dia 18 de setembro, mas só chegou ao conhecimento da polícia na última semana daquele mês.
A denúncia foi feita por uma moradora depois que vídeos que supostamente registram a violência começaram a circular em grupos de WhatsApp no município. De acordo com informações divulgadas pelo g1, as imagens teriam circulado inicialmente em grupos indígenas e posteriormente alcançado outros moradores da cidade.
A advogada Inory Kanamari, que acompanha familiares da adolescente, informou que a própria vítima não procurou a polícia para registrar a ocorrência. Uma mulher não indígena teria decidido denunciar o caso depois de ter acesso aos vídeos.
Cinco suspeitos foram identificados
Segundo a advogada, houve divergências no início da investigação sobre o número de pessoas envolvidas. Familiares da adolescente apontavam a participação de cinco homens, enquanto as primeiras informações repassadas à polícia indicavam um número menor de suspeitos.
Posteriormente, a investigação passou a considerar cinco homens como suspeitos. Documentos e informações foram apresentados às autoridades para ajudar na identificação dos envolvidos.
A 68ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Itamarati confirmou que os cinco suspeitos foram identificados e informou que solicitou à Justiça a prisão preventiva deles.
Com a decisão judicial, os cinco investigados tiveram a prisão decretada. A Polícia Civil mantém o caso sob investigação e informou que, neste momento, outras informações não serão divulgadas para não prejudicar o andamento das apurações.
Vídeos da violência são investigados
A circulação das imagens é outro ponto que deverá ser apurado pelas autoridades. Além da violência sofrida pela adolescente, a divulgação de registros de um crime sexual envolvendo uma menor de idade pode configurar outras violações e ampliar os danos causados à vítima.
A reportagem também procurou a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para saber se o órgão acompanha o caso e quais medidas de assistência estão sendo oferecidas à adolescente e à comunidade indígena. Até a publicação da reportagem do g1, não havia resposta.
A identidade da adolescente deve ser preservada, assim como qualquer informação que possa permitir sua identificação.