Concentração de poluentes dispara nesta sexta-feira (9), provoca suspensão de aulas e exige cuidados redobrados para evitar problemas respiratórios e cardiovasculares
Manaus amanheceu nesta sexta-feira (9) novamente encoberta por uma densa camada de fumaça, que reduz a visibilidade, deixa o ar difícil de respirar e aumenta a preocupação dos moradores. A situação se agravou nos últimos dias e atingiu níveis críticos, levando autoridades a adotar medidas preventivas e reforçar as orientações para proteger a saúde da população.
De acordo com a Prefeitura de Manaus, a concentração média de partículas finas, conhecidas como PM2,5, chegou a 196,4 microgramas por metro cúbico (µg/m³) na manhã desta sexta-feira. O índice é classificado como péssimo e representa um risco importante para a saúde.
O cenário já havia chamado a atenção na quinta-feira (8), quando o sistema de monitoramento ambiental SELVA registrou um pico de 490,1 µg/m³ em um dos pontos de medição da capital durante a madrugada. O valor ficou muito acima do patamar utilizado pelo sistema para classificar a qualidade do ar como péssima. As medições variam conforme o local e o horário.
Aulas suspensas e serviços alterados
Diante do agravamento da poluição atmosférica, a Prefeitura de Manaus suspendeu nesta sexta-feira as aulas da rede municipal de ensino, além das atividades em centros de atendimento especializado, Centros Municipais de Arte-Educação e no Parque Cidade da Criança.
As atividades presenciais nas sedes administrativas do Executivo municipal também foram suspensas, com adoção do teletrabalho para os servidores administrativos. Os serviços essenciais, incluindo o atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), foram mantidos.
A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e o Instituto Federal do Amazonas (Ifam) também adotaram medidas relacionadas à suspensão ou à mudança das atividades presenciais diante da piora da qualidade do ar.
De onde vem tanta fumaça?
A fumaça que encobre Manaus está associada principalmente às queimadas registradas no interior do Amazonas e em outras áreas da região amazônica. A ação dos ventos transporta os poluentes para a capital, mesmo quando os focos de incêndio estão distantes da área urbana.
Em comunicado divulgado anteriormente nesta semana, a Prefeitura apontou municípios como Itacoatiara, Careiro da Várzea, Manaquiri e Autazes entre as áreas de origem da fumaça que atingia Manaus.
O problema é agravado pela ocorrência de incêndios e pela dificuldade de dispersão dos poluentes em determinadas condições atmosféricas. Por isso, a quantidade de fumaça percebida na cidade não depende apenas dos focos de queimadas existentes dentro dos limites da capital.
Por que a fumaça é tão perigosa?
A fumaça das queimadas contém gases e partículas microscópicas capazes de penetrar profundamente no sistema respiratório. As partículas PM2,5 são especialmente preocupantes porque podem alcançar regiões profundas dos pulmões e contribuir para processos inflamatórios.
Entre os sintomas mais comuns estão ardência nos olhos, lacrimejamento, irritação no nariz e na garganta, tosse, dor de cabeça, chiado no peito e dificuldade para respirar. A exposição também pode agravar doenças respiratórias e cardiovasculares.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com asma, bronquite, doenças pulmonares ou problemas cardíacos precisam de atenção especial. Mesmo quem não possui doenças preexistentes pode apresentar sintomas após a exposição intensa à fumaça.
Como se proteger durante o período de fumaça
A orientação é reduzir ao máximo o contato com o ar poluído enquanto os índices permanecerem elevados.
- Evite exercícios ao ar livre, principalmente caminhadas, corridas e pedaladas.
- Mantenha portas e janelas fechadas nos períodos de maior concentração de fumaça, sempre que isso for compatível com a segurança e o conforto térmico.
- Prefira ambientes fechados e com ar filtrado, quando disponíveis.
- Use máscara PFF2 ou N95 se precisar sair e ficar exposto à fumaça. Máscaras de tecido e cirúrgicas não oferecem a mesma proteção contra partículas finas.
- Beba água regularmente e evite a exposição desnecessária de crianças e idosos.
- Pessoas que utilizam medicamentos para doenças respiratórias devem manter o tratamento prescrito e seguir as orientações médicas.
A recomendação do Ministério da Saúde é acompanhar os alertas sobre a qualidade do ar e reduzir a exposição sempre que houver fumaça intensa.
Quando procurar atendimento médico
Tosse persistente, irritação intensa nos olhos e na garganta, chiado no peito e piora de sintomas respiratórios justificam avaliação em uma unidade de saúde.
Em caso de falta de ar intensa, dor no peito, confusão ou agravamento rápido dos sintomas, procure atendimento de emergência. O Samu pode ser acionado pelo telefone 192.
Enquanto a fumaça continuar encobrindo Manaus, a população deve acompanhar os comunicados oficiais e evitar permanecer ao ar livre por períodos prolongados. O episódio reforça a gravidade dos impactos das queimadas sobre o meio ambiente e a saúde pública na Amazônia.