Eleições nos Estados Unidos colocam força política de Trump à prova

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Votação desta terça-feira (3) definirá a composição do Congresso e poderá limitar ou ampliar o poder do presidente republicano nos dois últimos anos de mandato

Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3) para escolher os integrantes da Câmara dos Representantes e parte do Senado, além de governadores em diversos estados. As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, representam um importante teste de popularidade para o presidente Donald Trump e podem alterar o equilíbrio de forças políticas no país.

Ao todo, serão disputadas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado. Também haverá eleições para governador em 36 estados americanos.

Embora Trump não seja candidato nesta votação, o resultado terá impacto direto sobre sua capacidade de aprovar projetos, implementar políticas e conduzir sua agenda nos dois últimos anos de governo.

Democratas tentam conquistar maioria

Atualmente, os republicanos controlam as duas casas do Congresso, o que favorece a aprovação das propostas do governo. Uma eventual vitória dos democratas na Câmara ou no Senado, porém, poderá dificultar a agenda presidencial e ampliar a fiscalização sobre as decisões da Casa Branca.

Pesquisas e análises eleitorais apontam um cenário favorável aos democratas na disputa pela Câmara, enquanto a corrida pelo controle do Senado permanece mais incerta. Entre os temas que influenciam o eleitorado estão o custo de vida, a inflação, os preços dos combustíveis e a política externa americana.

Caso conquistem a maioria em uma das casas legislativas, os democratas poderão ampliar investigações sobre integrantes do governo, convocar autoridades para prestar esclarecimentos e dificultar a aprovação de propostas de Trump.

O controle do Senado também é estratégico por sua atribuição de confirmar ou rejeitar indicações presidenciais para cargos importantes, incluindo posições no Judiciário federal.

Política externa e relação com o Brasil

O resultado das eleições também poderá repercutir na política externa dos Estados Unidos e nas relações com outros países, incluindo o Brasil.

O relacionamento entre Washington e Brasília tem sido marcado por tensões comerciais e divergências políticas. Nesse contexto, parlamentares democratas têm questionado decisões da administração Trump relacionadas ao Brasil e demonstrado interesse em investigar possíveis interferências americanas em assuntos políticos brasileiros.

Uma eventual mudança no comando do Congresso poderá ampliar a pressão parlamentar sobre a Casa Branca, inclusive por meio de audiências e investigações. No entanto, a Presidência americana mantém ampla autonomia em assuntos de política externa, de modo que uma vitória democrata não significaria, necessariamente, uma mudança imediata nas relações diplomáticas.

Um teste para o governo Trump

As eleições de meio de mandato costumam funcionar como um termômetro da avaliação popular sobre o presidente em exercício. Para Trump, o resultado poderá indicar o grau de apoio às suas políticas e definir as condições políticas para a reta final de seu mandato.

Se os republicanos mantiverem o controle das duas casas, o presidente terá um cenário mais favorável para avançar sua agenda. Caso os democratas conquistem uma ou ambas, o governo poderá enfrentar maior resistência legislativa e uma fiscalização mais intensa.

A votação desta terça-feira, portanto, vai além da escolha de parlamentares e governadores: representa uma disputa decisiva pelo controle político de Washington e pelos rumos do governo americano até 2028.

Foto: Yuri Gripas/EPA

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