Pesquisa indica que suspensão da Moratória da Soja pode acelerar desmatamento na Amazônia

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A possível extinção da Moratória da Soja pode provocar impactos significativos sobre a floresta amazônica. Um estudo publicado na revista científica Science estima que o fim do acordo poderá resultar na derrubada de 1,4 milhão de hectares de floresta nos próximos dez anos, elevando em 14% o desmatamento em relação ao histórico da região.

O levantamento foi elaborado por pesquisadores da WWF-Brasil, Greenpeace Brasil, Land Conservation Association e das universidades norte-americanas de Wisconsin e Illinois.

Segundo a pesquisa, o aumento do desmatamento teria reflexos diretos nas mudanças climáticas, com a emissão estimada de 745 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) — volume próximo ao total emitido anualmente pelo Canadá.

Firmada em 2006, a Moratória da Soja impede que empresas comercializem grãos produzidos em áreas da Amazônia desmatadas após 2008, tornando-se uma das principais iniciativas de combate ao avanço da fronteira agrícola sobre a floresta.

Florestas públicas sob maior pressão

Além da perda de cobertura vegetal, os pesquisadores apontam que o fim do acordo poderá aumentar a pressão sobre 28,7 milhões de hectares de florestas públicas, principalmente em áreas estratégicas para a expansão agrícola e de infraestrutura.

O estudo destaca ainda que a produção de soja poderia crescer sem necessidade de novos desmatamentos, já que a Amazônia possui cerca de 1,7 milhão de hectares de áreas já abertas e aptas ao cultivo.

Balanço dos últimos anos

Os autores afirmam que, desde sua criação, a Moratória da Soja contribuiu para reduzir em 35% o desmatamento nas regiões mais vulneráveis ao avanço da cultura, preservando aproximadamente 1,8 milhão de hectares de floresta.

A pesquisa também conclui que o acordo não comprometeu o desempenho econômico do setor. Conforme os dados, apenas 739 mil hectares aptos para o cultivo de soja foram legalmente desmatados após 2008, e a maior parte dessas áreas não pertence a produtores do grão.

Além disso, não foram identificadas diferenças relevantes nos preços pagos aos produtores entre municípios participantes da moratória e localidades vizinhas.

Tema será analisado pelo STF

A continuidade da Moratória da Soja também depende de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Quatro ações que discutem a legalidade do acordo aguardam julgamento. A análise deverá começar em 12 de agosto, incluindo o exame de uma lei do Mato Grosso que retira incentivos fiscais e benefícios de empresas que aderem à moratória.

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