Córnea bioimpressa em 3D que recuperou visão de paciente segue em estudo clínico

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Procedimento pioneiro foi realizado em Israel em 2025 e continua sendo acompanhado por pesquisadores; tecnologia pode ajudar a reduzir a falta de córneas para transplantes

Uma tecnologia de bioimpressão em 3D que permitiu a recuperação da visão de uma paciente em um procedimento pioneiro realizado em Israel continua sendo acompanhada por pesquisadores em 2026.

A cirurgia aconteceu em 29 de outubro de 2025, no Rambam Health Care Campus, em Haifa, e marcou a primeira implantação em um ser humano de uma córnea produzida a partir de células humanas cultivadas em laboratório.

A paciente apresentava cegueira legal no olho tratado e recebeu o implante desenvolvido pela empresa de biotecnologia Precise Bio. Após o procedimento, houve recuperação da visão no olho operado.

O caso ganhou repercussão por representar um possível avanço na busca por alternativas aos transplantes convencionais de córnea, que dependem da disponibilidade de tecidos de doadores.

Como funciona a tecnologia

O implante não é uma peça simplesmente produzida por uma impressora 3D convencional. A tecnologia utiliza células humanas da córnea, cultivadas em laboratório e organizadas por meio de uma plataforma de biofabricação.

O objetivo é produzir um implante capaz de substituir a camada interna da córnea e ajudar a restaurar sua função.

De acordo com a empresa responsável pelo desenvolvimento, o método também pode permitir a produção de uma quantidade muito maior de implantes a partir do material celular obtido de uma única córnea doadora.

O que acontece agora

Apesar do resultado obtido com a primeira paciente, a tecnologia ainda é experimental e não está disponível como tratamento para o público em geral.

O procedimento integra um estudo clínico inicial, que busca avaliar principalmente a segurança e a tolerabilidade do implante, além de acompanhar possíveis resultados de eficácia.

A pesquisa prevê a participação de aproximadamente 10 a 15 pacientes com doenças relacionadas à disfunção das células endoteliais da córnea.

Por isso, os resultados da primeira cirurgia precisam ser acompanhados por mais tempo e comparados com os de outros pacientes antes que seja possível determinar se a técnica poderá ser utilizada de forma ampla.

Esperança para quem aguarda transplante

A falta de córneas disponíveis para transplante é um dos desafios enfrentados pela oftalmologia em diferentes países. Nesse cenário, a bioimpressão de tecidos é estudada como uma possível maneira de ampliar a oferta de material para pacientes que precisam recuperar a visão.

Se os próximos testes demonstrarem segurança e eficácia, a tecnologia poderá representar, no futuro, uma alternativa aos transplantes convencionais em determinados casos.

Por enquanto, porém, os pesquisadores tratam o resultado como um marco científico que ainda precisa passar por novas etapas de investigação.

Foto: Divulgação/Rambam Health Care Campus

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