Uma avalanche de neve, rochas e lama seguida por uma forte inundação atingiu nesta quarta-feira (26/8) a região de fronteira entre o Nepal e o Tibete, deixando pelo menos 98 mortos e centenas de desaparecidos.
Do total de mortos, 95 foram registrados no Nepal e três no lado tibetano, segundo as autoridades dos dois países. No Nepal, 403 pessoas foram dadas como desaparecidas, entre elas 341 estrangeiros. Na região de Gyirong, no Tibete, outras 265 pessoas estão desaparecidas, de acordo com informações divulgadas pelas autoridades chinesas.
A força da enxurrada destruiu pontes, estradas e construções e atingiu comunidades inteiras. Imagens registradas após o desastre mostram imóveis cobertos de lama e grandes áreas de infraestrutura completamente destruídas.
A região afetada é uma importante rota de ligação entre o Nepal e a China e também recebe turistas e peregrinos que seguem em direção ao Monte Kailash, no Tibete. Entre os desaparecidos estão turistas, trabalhadores, policiais e moradores locais.
Estrangeiros estão entre os desaparecidos
Segundo o Conselho de Turismo do Nepal, os 341 estrangeiros desaparecidos são de diferentes nacionalidades. Entre eles estão 133 indianos que faziam peregrinação ao Monte Kailash, além de cidadãos dos Estados Unidos, Austrália, Reino Unido e Canadá.
Também há desaparecidos entre os nepaleses que estavam em áreas de trilhas e peregrinação, incluindo a região do lago Gosaikunda, no distrito de Rasuwa.
Até a atualização mais recente consultada, não havia confirmação oficial sobre brasileiros entre os desaparecidos.
Terremoto pode ter desencadeado avalanche
As autoridades investigam as causas do desastre. Um terremoto de magnitude 4,4 foi registrado na região pouco antes da inundação.
Informações preliminares indicam que o tremor pode ter provocado um deslizamento de neve e rochas que atingiu o rio Bhote Koshi. O bloqueio e posterior liberação repentina da água teriam contribuído para a inundação de grandes proporções.
Outra possibilidade investigada é a participação de processos relacionados ao derretimento de geleiras e ao rompimento de lagos glaciais, fenômenos que representam risco crescente na região do Himalaia.
Resgates continuam
As equipes de emergência continuam procurando desaparecidos e avaliando os estragos. O terreno montanhoso, a destruição de estradas e pontes e os problemas de comunicação dificultam o acesso às áreas mais atingidas.
O Nepal também pediu ajuda internacional para reforçar as operações de resgate. Autoridades alertaram moradores de áreas próximas aos rios Bhotekoshi, Trishuli e Narayani sobre o risco de novas inundações.
A tragédia ocorre durante a temporada de monções, período em que chuvas intensas costumam provocar enchentes e deslizamentos no Nepal e em outras áreas do Sul da Ásia.
Foto: AFP