Tremor de magnitude 7,4 atingiu o oeste colombiano e foi percebido por moradores de Manaus, principalmente em edifícios altos
O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia nesta segunda-feira (10) também foi percebido em Manaus. Moradores da capital amazonense relataram o balanço de lustres, persianas e outros objetos, principalmente dentro de edifícios mais altos.
O fenômeno chamou a atenção pela distância entre o epicentro do terremoto e Manaus. Segundo especialistas, as ondas sísmicas conseguiram se propagar por uma longa distância e foram percebidas na capital amazonense devido às características geológicas da região e à forma como as estruturas dos prédios respondem a esse tipo de movimentação.
De acordo com o geólogo e especialista em engenharia geotécnica Adnilson Cruz da Silva, o terremoto ocorreu em uma área de encontro de placas tectônicas, entre a placa de Nazca e a placa Sul-Americana. O embasamento rochoso contribui para a propagação das ondas sísmicas.
“Manaus vai sentir esse efeito do tremor que aconteceu na Colômbia em decorrência do embasamento rochoso. Aquela região da Colômbia está em uma zona de confluência de placa tectônica, entre a placa de Nazca e a placa Sul-Americana. O embasamento rochoso faz com que essas ondas se propaguem a longa distância”, explicou o especialista.
Solo de Manaus também influencia
Outro fator apontado pelo geólogo são as características do subsolo de Manaus.
A capital está localizada sobre uma extensa bacia sedimentar, com predominância da Formação Alter do Chão. Segundo o especialista, a formação geológica pode atingir grandes profundidades em determinadas áreas da cidade.
Isso ajuda a explicar por que o movimento pôde ser percebido mesmo a centenas de quilômetros do epicentro.
Por que os prédios altos balançam mais?
A sensação foi mais evidente para moradores que estavam em andares elevados. Isso acontece porque edifícios altos podem apresentar maior oscilação quando recebem determinadas ondas de baixa intensidade.
Segundo Adnilson, as estruturas podem funcionar de maneira semelhante a um pêndulo, produzindo um movimento perceptível nos andares superiores.
“Como esses prédios localizados em Manaus são prédios mais altos, a partir do oitavo andar, nessas estruturas se percebe essa ressonância. Elas começam a funcionar como se fossem um pêndulo invertido”, explicou.
O especialista ressaltou que esse tipo de balanço, por si só, não significa que a estrutura esteja sofrendo danos.
“Esse balanço por ressonância seria um movimento seguro e não preocupante. Ele é percebível pela movimentação elástica das estruturas. Elas balançam, mas tendem a voltar ao normal”, afirmou.
Há risco para os prédios de Manaus?
Apesar do susto provocado pelos relatos de tremores, a distância do epicentro faz com que a intensidade das ondas que chegam a Manaus seja muito menor.
O especialista também explicou que os edifícios construídos no Brasil precisam atender a normas técnicas que consideram, entre outros fatores, a ação dos ventos sobre as estruturas.
Assim, o simples fato de um prédio balançar durante a passagem de ondas sísmicas não significa que exista risco iminente de colapso.
Terremoto deixou mortos e destruição na Colômbia
O terremoto atingiu principalmente a região oeste da Colômbia, com epicentro próximo a San José del Palmar.
O forte abalo provocou mortes, feridos e destruição em diferentes cidades. Segundo os balanços divulgados após o desastre, pelo menos 111 pessoas morreram e 87 ficaram feridas, além de dezenas de edificações terem desabado ou sido danificadas.
O terremoto foi considerado um dos eventos sísmicos mais fortes registrados recentemente no país e mobilizou equipes de emergência para buscas e atendimento às vítimas.
Em Manaus, o episódio provocou susto, mas os relatos de movimentação em edifícios estão relacionados à propagação das ondas sísmicas e à ressonância das estruturas.