Governador reuniu-se com ministros federais para apresentar o monitoramento dos incêndios; operação estadual mobiliza equipes em 33 municípios
Manaus voltou a amanhecer sob uma densa camada de fumaça nesta segunda-feira (12), em meio ao avanço dos incêndios florestais no Amazonas. Pelo quinto dia consecutivo, a capital registrou a pior qualidade do ar do Brasil, segundo a plataforma internacional IQAir.
Por volta das 6h, o índice de qualidade do ar chegou a 195 pontos, nível considerado insalubre. A concentração de partículas finas PM2.5 atingiu 123 microgramas por metro cúbico. No bairro Armando Mendes, o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), registrou condições péssimas, com concentração de até 218,2 microgramas por metro cúbico.
Diante do agravamento do cenário, o governador Roberto Cidade intensificou a articulação com órgãos estaduais e o Governo Federal para ampliar as medidas de enfrentamento aos incêndios e reduzir os impactos da crise ambiental.
Roberto Cidade apresenta monitoramento a ministros
No domingo (11), o governador recebeu, no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), em Manaus, os ministros João Paulo Capobianco, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e Waldez Góes, da Integração e do Desenvolvimento Regional.
Durante a reunião, Cidade apresentou o sistema de monitoramento utilizado pelo Estado para identificar os focos de incêndio e acompanhar a direção dos ventos que transportam a fumaça para Manaus e outras regiões.
O encontro também serviu para alinhar as ações entre os governos estadual e federal. Após a reunião, a comitiva sobrevoou áreas atingidas pelas queimadas, incluindo a região de Autazes.
A mobilização federal prevê o envio de aeronaves para reforçar o trabalho em campo, além de brigadistas e equipes de apoio. O reconhecimento da situação de emergência em 36 municípios amazonenses também abre caminho para medidas de assistência e acesso a recursos federais.
Operação estadual reúne brigadistas e bombeiros
Entre as iniciativas do Governo do Amazonas está a Operação Amazonas+Verde, que reúne equipes de diferentes órgãos no combate aos incêndios, na fiscalização ambiental e na prevenção de novas ocorrências. Segundo informações divulgadas pelo governo estadual, a operação atua em 33 municípios.
O Estado também contratou 153 brigadistas florestais por meio do Programa Floresta em Pé, ampliando a capacidade de resposta às ocorrências. A estrutura inclui ainda a entrega de 20 viaturas, 17 delas equipadas com kits de combate a incêndio, e 453 equipamentos multimissão.
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) ampliou sua presença no interior, passando de 11 para 25 municípios com bases permanentes entre maio de 2025 e maio de 2026. O efetivo da corporação também cresceu após a realização de concurso público.
Outra frente de atuação é a Operação Tamoiotatá, voltada à fiscalização e ao enfrentamento de crimes ambientais em 13 municípios. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) atua na identificação de queimadas irregulares e na responsabilização dos infratores.
O Estado mantém ainda a proibição do uso do fogo por 120 dias, conforme decreto estadual, como medida preventiva durante o período crítico.
Emergência exige resposta conjunta
O Governo do Amazonas decretou situação de emergência em 36 municípios devido aos incêndios florestais. A medida recebeu reconhecimento federal no sábado (10), permitindo ampliar a articulação para o atendimento das áreas afetadas.
Além de combater as chamas, os órgãos envolvidos precisam atender comunidades expostas à fumaça e aos efeitos da estiagem. Equipes da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) também foram mobilizadas para reforçar a assistência médica.
Cuidados com a saúde
A fumaça pode provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, tosse e dificuldade para respirar. Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares estão entre os grupos mais vulneráveis.
A recomendação é evitar exercícios ao ar livre, reduzir a exposição à fumaça, manter portas e janelas fechadas nos períodos de maior concentração de poluentes e utilizar máscara adequada quando houver necessidade de sair. Em caso de falta de ar ou agravamento dos sintomas, a orientação é procurar atendimento médico.
Enquanto Manaus enfrenta mais um dia de ar insalubre, o desafio das autoridades é conter os incêndios no interior, fortalecer a prevenção e minimizar os efeitos da fumaça sobre a população.