Uma jovem de 18 anos relatou, em depoimento ao júri, episódios de agressões físicas, ameaças e situações de violência que afirma ter sofrido quando tinha cerca de 5 anos, durante o relacionamento de sua mãe com o ex-vereador carioca Jairinho.
O depoimento foi considerado um dos mais relevantes do julgamento que resultou na condenação do ex-parlamentar pela morte de Henry Borel, de 4 anos, contribuindo para a tese da acusação de que ele já apresentava histórico de violência contra crianças.
Segundo a testemunha, ela conheceu Jairinho na época em que ele se relacionava com sua mãe. Ela afirmou que, em algumas ocasiões, era levada a motéis, onde teria sido submetida a agressões dentro de uma piscina.
“Ele me afogava até eu encostar no chão. Depois me soltava, eu conseguia respirar e ele repetia a ação, me empurrando com o pé várias vezes”, declarou.
A jovem também disse ter sofrido outras agressões físicas, relatando que, em um dos episódios, o ex-vereador teria apertado seu braço com tanta força que foi necessário o uso de gesso.
Ela afirmou ainda que não contava o que acontecia à mãe por medo de deixá-la abalada emocionalmente.
“Eu tinha medo de contar e ela ficar muito triste”, disse.
A mãe da jovem afirmou em depoimento que só tomou conhecimento das agressões cerca de um ano após o término do relacionamento com Jairinho, quando a filha assistia a uma reportagem sobre violência infantil e decidiu relatar o que teria vivido.
Segundo ela, a menina chorou e contou que sofria agressões, incluindo golpes na cabeça e torções no braço.
A mulher disse ainda que, durante o relacionamento, não tinha conhecimento de qualquer episódio de violência.
O relato da ex-enteada foi utilizado pela acusação para reforçar a tese de que os atos atribuídos a Jairinho contra Henry Borel não seriam isolados, mas parte de um padrão de comportamento violento.
Após 11 dias de julgamento, o ex-vereador foi condenado a 43 anos e 9 meses de prisão pelos crimes de tortura e homicídio relacionados à morte de Henry Borel.
De acordo com os autos, mãe e filha decidiram procurar as autoridades após tomarem conhecimento da morte do menino, em março de 2021. A jovem afirmou ainda que carregava sentimento de culpa por não ter denunciado anteriormente.
“Eu me senti muito culpada, porque achei que, se tivéssemos falado antes, talvez não tivesse chegado a esse desfecho”, relatou.
Henry foi encontrado sem vida em março de 2021. Laudos periciais apontaram hemorragia interna e lesões graves incompatíveis com a versão de queda apresentada inicialmente.
O caso segue com desdobramentos judiciais. A defesa do ex-vereador informou que pretende recorrer da decisão.