O anúncio da pré-candidatura do presidente do Sindicato dos Rodoviários de Manaus, Givancir Oliveira, a deputado estadual pelo Avante trouxe um novo elemento ao debate sobre a greve que paralisou 100% da frota de ônibus da capital amazonense nesta semana.
A filiação ao mesmo partido do prefeito David Almeida, pré-candidato ao Governo do Amazonas, ocorreu logo após o encerramento da paralisação e passou a levantar questionamentos sobre a imparcialidade da atuação do dirigente sindical durante o movimento.
Ao longo da greve, Givancir concentrou as críticas no Governo do Amazonas, acompanhando o discurso adotado pela Prefeitura de Manaus, que atribuiu ao Estado a responsabilidade pela paralisação em razão do atraso no repasse do vale estudantil.
Entretanto, durante a crise, o vice-governador Serafim Corrêa divulgou uma ação judicial do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), que aponta uma dívida da Prefeitura de Manaus superior a R$ 190 milhões referente a subsídios do transporte coletivo dos anos de 2025 e 2026.
Na sequência, o governador Roberto Cidade determinou o pagamento de R$ 18 milhões referentes ao vale estudantil e divulgou o comprovante da transferência dos recursos. Horas depois, a Prefeitura confirmou o recebimento do valor e Givancir anunciou o encerramento da greve, com a retomada integral da circulação dos ônibus.
Apesar de a existência da dívida da Prefeitura ter sido levada ao conhecimento público durante o impasse, o presidente do sindicato manteve as críticas ao Governo do Estado e não fez manifestações públicas cobrando do município a regularização dos débitos apontados no processo judicial.
No dia seguinte ao fim da paralisação, Givancir anunciou sua pré-candidatura pelo Avante, partido que integra o mesmo grupo político de David Almeida. A coincidência entre os fatos passou a alimentar questionamentos no meio político sobre a neutralidade da atuação sindical durante a greve, especialmente em um momento de disputa eleitoral.
Histórico
Givancir Oliveira também esteve no centro de uma investigação criminal em 2020, quando foi preso sob suspeita de envolvimento em um homicídio ocorrido em Iranduba. À época, afastou-se da presidência do sindicato e chegou a utilizar tornozeleira eletrônica. Em 2022, o processo foi arquivado pela Justiça por insuficiência de provas.