Justiça Eleitoral decidiu iniciar operação 20 dias antes do habitual para evitar que a vazante dos rios dificulte a chegada dos equipamentos às regiões mais distantes do Amazonas
A previsão de uma nova estiagem severa no Amazonas já está alterando o planejamento das Eleições Gerais de 2026. Para evitar que a redução do nível dos rios comprometa o transporte de equipamentos, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) antecipou em 20 dias o início da distribuição das urnas eletrônicas para o interior do estado.
A primeira operação logística partiu de Manaus nesta sexta-feira (21), levando 467 urnas eletrônicas e outros materiais necessários para a realização da votação em municípios e comunidades da região do Alto Solimões.
O percurso é um retrato dos desafios enfrentados pela Justiça Eleitoral no Amazonas. A embarcação deverá percorrer mais de 1,5 mil quilômetros e a viagem até os destinos finais pode durar cerca de sete dias.
Além das urnas, a carga transporta cabinas de votação, baterias, cabos, sacolas e cadernos utilizados durante o processo eleitoral.
Alto Solimões é prioridade
Os primeiros equipamentos enviados pelo TRE-AM serão destinados a Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Amaturá, Tabatinga e Tonantins.
A distribuição também alcançará comunidades mais afastadas, como Ipiranga, em Santo Antônio do Içá, e Vila Bittencourt, localizada em Japurá.
A estratégia é fazer com que as urnas cheguem às regiões mais distantes antes que uma possível vazante mais intensa reduza as condições de navegabilidade e torne o transporte fluvial ainda mais difícil.
Em algumas localidades, os equipamentos são recebidos em centros logísticos antes de seguirem para outros municípios. Tabatinga e São Paulo de Olivença, por exemplo, funcionam como polos da Justiça Eleitoral na região.
Somente depois da chegada aos municípios é iniciado o processo de preparação final das urnas, com a inserção dos dados necessários para a realização da votação.
Interior terá mais urnas que Manaus
A estrutura montada para as eleições de 2026 prevê o envio de aproximadamente 5 mil urnas eletrônicas para os municípios do interior do Amazonas.
Em Manaus, a previsão é de utilização de cerca de 4,2 mil equipamentos. A capital também exerce papel estratégico na preparação e distribuição de urnas destinadas a outros 13 municípios.
O responsável pela fiscalização do contrato de transporte das urnas, Osmarino Valcácio Júnior, destacou que o planejamento tem como objetivo garantir que a logística não interfira no direito do eleitor de votar.
“A Justiça Eleitoral é apenas uma ferramenta para que os verdadeiros protagonistas possam agir, que é o povo brasileiro. A população brasileira é livre para votar da maneira que quiser, de acordo com sua própria consciência”, afirmou.
Equipamentos passam por bateria de testes
Antes de embarcar para o interior, cada urna eletrônica passa por procedimentos técnicos para verificar seu funcionamento.
Os testes são repetidos após a chegada aos cartórios eleitorais e novamente depois que os equipamentos recebem as informações que serão utilizadas no pleito.
O TRE-AM também prevê o envio de urnas reservas para atender eventuais necessidades de substituição. A quantidade de equipamentos de contingência deve representar entre 8% e 10% do total enviado para cada localidade.
Com a antecipação da operação, a Justiça Eleitoral tenta se proteger de um dos principais desafios da geografia amazonense: garantir que urnas e materiais eleitorais consigam chegar às comunidades mais distantes mesmo diante da redução dos rios durante o período de estiagem.
A operação marca o início de uma logística que, ao longo das próximas semanas, deverá levar milhares de equipamentos a municípios e comunidades do interior para garantir a realização das Eleições Gerais de 2026.