Capital teve apenas 2,4 milímetros de chuva durante o mês, enquanto previsão indica continuidade do calor intenso em setembro
Manaus encerrou agosto com um dos cenários mais extremos de calor e estiagem das últimas décadas. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a capital amazonense acumulou apenas 2,4 milímetros de chuva durante todo o mês. O volume é o segundo menor registrado para agosto desde o início da série histórica, ficando atrás apenas dos 1,6 milímetros contabilizados em 1986.
A única chuva registrada na capital neste mês ocorreu no dia 22, depois de semanas de temperaturas elevadas e tempo seco. A precipitação, porém, teve pouco impacto no acumulado mensal.
O cenário de pouca chuva ocorre em um período marcado pela influência do fenômeno El Niño. De acordo com o meteorologista e pesquisador Renato Senna, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o fenômeno interfere na formação de nuvens e contribui para a redução das precipitações na região.
A combinação entre pouca chuva e temperaturas elevadas também acende um alerta para os próximos meses. Segundo o pesquisador, a situação pode apresentar características semelhantes às observadas em 2023, ano marcado por uma forte estiagem na Amazônia e pela rápida redução do nível dos rios.
Rio Negro já apresenta sinais de descida
O comportamento do Rio Negro também preocupa. Conforme a avaliação de Renato Senna, o rio apresenta desde julho um padrão de descida semelhante ao observado no período que antecedeu a estiagem de 2023.
A influência do El Niño também pode alcançar outras bacias da Amazônia, aumentando a velocidade de redução dos níveis dos rios em determinadas áreas.
A expectativa é de que o fenômeno continue influenciando o clima nos próximos meses, com possibilidade de atingir maior intensidade entre outubro e dezembro, segundo projeções de institutos internacionais citadas pelo pesquisador.
Calor deve continuar em setembro
Enquanto a chuva permanece escassa, os termômetros seguem batendo recordes em Manaus.
Nesta segunda-feira (31), a capital registrou 37,3°C, maior temperatura do ano até agora. O novo recorde ocorreu apenas cinco dias depois de a cidade alcançar 37,1°C, em 25 de agosto.
As maiores temperaturas registradas em Manaus em 2026 até o momento foram:
- 31 de agosto: 37,3°C
- 25 de agosto: 37,1°C
- 26 de agosto: 36,9°C
- 11 de agosto: 36,3°C
- 10 de agosto: 36,2°C
A previsão para setembro indica que o calor deve continuar. A expectativa é de temperaturas pelo menos 1,5°C acima da média observada em agosto.
Para os primeiros dias do mês, as máximas podem chegar novamente próximas dos 37°C em Manaus. No interior do Amazonas, municípios como Parintins e Nhamundá também estão entre as áreas que devem sentir os efeitos das temperaturas elevadas.
Chuvas podem demorar mais a retornar
A previsão climática indica ainda que o período de transição para a estação chuvosa pode ocorrer mais tarde neste ano.
Normalmente, entre outubro e novembro, as pancadas de chuva começam a ficar mais frequentes na região. Com a influência do El Niño, entretanto, esse processo pode sofrer atraso.
Até lá, a recomendação é redobrar os cuidados durante os períodos de calor intenso, especialmente com hidratação e exposição prolongada ao sol.
Foto: Alcides Neto