Primeira-dama do crime tem álbum de fotos com a candidata do PL
Há momentos na política brasileira em que a máquina de fabricar narrativas colide de frente com a realidade digital. O caso de Maria do Carmo, pré-candidata ao governo do Amazonas pelo PL, configura um desses episódios paradigmáticos.
Preso com 2,5 toneladas de drogas, Rodrigo Soares representa o elo visível de uma cadeia que, agora, se conecta — fotograficamente — à campanha de uma candidata majoritária. O elemento novo, porém, não é a prisão em si, mas o arquivo digital deixado por Ana Marcela, esposa do detido.
Em seu perfil no Instagram, Ana Marcela — figura conhecida no meio policial como a “Primeira Dama do Tráfico” — organizou meticulosamente um destaque intitulado “Maria do Carmo”. A curadoria é reveladora: registros de maio, maio novamente e agosto, mostrando uma frequência de encontros que escapa à casualidade.
A imagem de 16 de agosto é particularmente eloquente. Maria do Carmo gesticula o número 22; Ana Marcela, ao seu lado, exibe o material de campanha. A legenda — “22 neles” — sugere não mera presença, mas adesão.
A foto de 30 de maio, com Ana Marcela no palanque, indica acesso privilegiado aos eventos da candidata.
O que temos aqui não é apenas um problema de imagem. É uma questão de governabilidade. Se uma candidata ao Executivo estadual convive — publicamente e sem qualquer constrangimento — com a cúpula do narcotráfico local, que tipo de administração se pode esperar?
A resposta, infelizmente, está na foto.