O crescimento da procura por implantes hormonais para fins estéticos e tratamentos diversos tem levantado preocupações entre especialistas. Enquanto o chamado “chip da beleza” é alvo de alertas por utilizar a gestrinona, hormônio que não possui regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o implante contraceptivo Implanon é o único dispositivo hormonal desse tipo autorizado no Brasil.
A principal diferença está na finalidade e na segurança. O Implanon libera etonogestrel, uma versão sintética da progesterona, que impede a ovulação e dificulta a passagem dos espermatozoides, oferecendo proteção contraceptiva por até três anos.
Já o chamado “chip da beleza” utiliza a gestrinona, um hormônio sintético com características semelhantes às da testosterona. Segundo especialistas, o produto é frequentemente divulgado com promessas de aumento de massa muscular, melhora da disposição, redução da gordura corporal e suspensão da menstruação, mas seu uso não é regulamentado pela Anvisa e pode provocar efeitos adversos importantes.
Entidades como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) alertam que não existem evidências científicas que justifiquem o uso da testosterona ou de hormônios semelhantes para fins estéticos em mulheres. As instituições destacam que a única indicação reconhecida para terapia com testosterona feminina é o tratamento do Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo em mulheres na pós-menopausa, após avaliação médica criteriosa.
Como funciona o Implanon
O Implanon é um pequeno bastão flexível inserido sob a pele da parte interna do braço por meio de um procedimento rápido realizado com anestesia local. O método libera hormônio continuamente durante três anos e apresenta uma taxa de falha de apenas 0,05%, sendo considerado um dos contraceptivos mais eficazes disponíveis.
Além da alta eficácia, o implante pode ser utilizado por mulheres que não podem fazer uso de anticoncepcionais contendo estrogênio, como algumas pacientes com enxaqueca com aura ou maior risco cardiovascular, desde que haja avaliação médica.
Disponível no SUS
O Implanon também está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) e integra a lista de métodos contraceptivos de longa duração oferecidos à população.
Possíveis efeitos colaterais
Embora seja considerado seguro, algumas mulheres podem apresentar alterações no padrão menstrual, incluindo pequenos sangramentos irregulares (spotting) ou irregularidade na menstruação. Após a retirada do implante, a fertilidade costuma retornar rapidamente.
Riscos do “chip da beleza”
Especialistas alertam que o uso da gestrinona pode provocar diversos efeitos adversos, entre eles:
- Aumento de acne;
- Alterações de humor;
- Crescimento excessivo de pelos;
- Queda de cabelo;
- Sangramentos menstruais de difícil controle;
- Alterações hormonais que podem causar efeitos irreversíveis.
Além disso, médicos ressaltam que implantes manipulados sem padronização dificultam o controle da dosagem e aumentam os riscos à saúde.
Foto: Ascom Prefeitura Lucas de Rio Verde/Andrew Aragão)