Apesar de apresentarem sintomas semelhantes, doenças exigem estratégias específicas de diagnóstico, controle e acompanhamento
Diabetes tipo 1 e tipo 2 têm em comum a elevação da glicose no sangue, mas são doenças distintas e exigem abordagens diferentes. Enquanto o tipo 1 é provocado por uma reação do sistema imunológico que destrói as células responsáveis pela produção de insulina, o tipo 2 está relacionado principalmente à resistência à ação desse hormônio e à redução progressiva de sua produção pelo organismo.
No Brasil, aproximadamente 20 milhões de pessoas vivem com diabetes. Cerca de 90% dos casos correspondem ao tipo 2, que apresenta entre os principais fatores de risco o excesso de peso, a obesidade, o sedentarismo, a idade avançada, a hipertensão e alterações no colesterol e nos triglicerídeos.
Sintomas podem ser parecidos
Sede excessiva, vontade frequente de urinar, fome aumentada, perda de peso sem causa aparente, cansaço e visão turva estão entre os sinais que podem aparecer nos dois tipos da doença.
A insulina tem a função de facilitar a entrada da glicose do sangue nas células, onde ela é utilizada para produzir energia. Quando esse processo não funciona adequadamente, o açúcar permanece em níveis elevados na circulação e pode provocar alterações que afetam diferentes órgãos.
A confirmação do diabetes é feita por exames laboratoriais. Dependendo do caso, também podem ser solicitados exames para identificar autoanticorpos e auxiliar na diferenciação do diabetes tipo 1 de outras formas da doença.
Quando há sintomas característicos, uma glicemia de 200 mg/dL ou mais, realizada em qualquer horário do dia, pode confirmar o diagnóstico. Na ausência de sintomas, podem ser utilizados exames como glicemia de jejum, teste de tolerância à glicose e hemoglobina glicada.
Diabetes tipo 1 exige insulina
No diabetes tipo 1, o sistema imunológico ataca as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina. Como consequência, o organismo deixa de produzir o hormônio em quantidade suficiente.
A doença é mais frequente em crianças e adolescentes, mas também pode surgir na idade adulta.
O tratamento requer reposição de insulina desde o diagnóstico e por toda a vida. Ela pode ser administrada por meio de aplicações diárias ou sistemas de infusão contínua.
O objetivo é manter a glicose sob controle e reduzir o risco de complicações decorrentes da doença.
Controle do tipo 2 envolve hábitos saudáveis
No diabetes tipo 2, a mudança de hábitos costuma fazer parte da estratégia inicial de tratamento. Alimentação equilibrada, atividade física e controle do peso são medidas importantes para melhorar o controle da glicemia.
Quando necessário, medicamentos também podem ser prescritos de acordo com as características e necessidades de cada paciente.
A alimentação deve priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, com redução do consumo de produtos ultraprocessados e do excesso de açúcar.
A prática regular de exercícios também contribui para aumentar a sensibilidade à insulina, auxiliar no controle da glicose e favorecer a manutenção ou redução do peso. A recomendação geral é alcançar pelo menos 150 minutos de atividade física por semana, respeitando as condições individuais.
Além do controle do diabetes, hábitos saudáveis podem beneficiar a pressão arterial, o metabolismo e a saúde cardiovascular.
Embora tenham mecanismos diferentes, os dois tipos da doença exigem acompanhamento profissional. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para manter a glicemia controlada e diminuir o risco de complicações ao longo dos anos.