Luis Saraiva citou dados do Ministério da Saúde para contestar críticas do prefeito Renato Júnior e apontou desempenho da capital entre os 62 municípios do Estado
O secretário de Estado de Saúde do Amazonas, Luis Saraiva, rebateu nesta segunda-feira (14) críticas feitas pelo prefeito de Manaus, Renato Júnior, à rede estadual de saúde e apresentou um dado para colocar em discussão o desempenho da atenção básica da capital.
Segundo Saraiva, Manaus ocupa a 60ª posição entre os 62 municípios do Amazonas na atenção básica, conforme dados do Ministério da Saúde citados por ele. Na classificação mencionada pelo secretário, a capital aparece à frente somente de Japurá e Canutama.
O secretário usou o número para responder às críticas da Prefeitura relacionadas à rede estadual, especialmente à fila do Sisreg e ao atendimento de pacientes encaminhados para serviços de maior complexidade.
Pressão sobre os hospitais
Na avaliação de Saraiva, o desempenho da atenção primária tem reflexos diretos sobre o funcionamento da rede estadual. Ele afirmou que mais de 60% dos pacientes que chegam às unidades estaduais de urgência e emergência apresentam problemas que poderiam ser resolvidos em outros níveis de atendimento.
A argumentação é que uma atenção básica mais resolutiva poderia evitar que casos de menor complexidade chegassem aos hospitais e prontos-socorros estaduais, reduzindo a pressão sobre uma rede destinada principalmente a atendimentos de média e alta complexidade.
O secretário também rebateu a afirmação de que o Governo do Amazonas estaria deixando de pagar empresas e profissionais da saúde. De acordo com Saraiva, R$ 383 milhões já foram pagos pelo atual governo a empresas médicas da capital e do interior.
Um contraste com resultados anteriores
O dado apresentado agora por Saraiva contrasta com resultados divulgados anteriormente pela própria Prefeitura de Manaus.
Em 2022, Manaus anunciou ter alcançado o primeiro lugar entre as capitais brasileiras no Previne Brasil, com Indicador Sintético Final (ISF) de 8,37. Na época, a administração municipal destacou o resultado como demonstração do desempenho da atenção primária da capital.
Em 2023, a Prefeitura voltou a divulgar um resultado de destaque, informando que Manaus havia alcançado ISF de 8,46 no programa.
O Previne Brasil utiliza indicadores relacionados à Atenção Primária à Saúde, incluindo acompanhamento de gestantes, saúde da mulher e da criança e monitoramento de pacientes com hipertensão e diabetes. O Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB), do Ministério da Saúde, disponibiliza os resultados dos indicadores e o cálculo do ISF.
Debate sobre quem deve resolver o problema
A discussão coloca em evidência uma divisão de responsabilidades dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). Enquanto a Prefeitura administra a atenção básica municipal, o Estado concentra serviços de maior complexidade e a rede hospitalar estadual.
Por isso, além da disputa política entre Prefeitura e Governo do Amazonas, o desempenho da atenção primária tem impacto direto no cotidiano de quem procura atendimento na rede pública.
Se a atenção básica não consegue resolver os casos que estão sob sua responsabilidade, parte dessa demanda pode chegar às unidades de urgência e emergência, aumentando filas e ocupação hospitalar. Por outro lado, problemas na rede estadual de média e alta complexidade também podem repercutir sobre os municípios.
O dado apresentado pelo secretário, portanto, acrescenta um novo elemento à discussão: Manaus, a cidade mais populosa do Amazonas e responsável pela maior parcela da demanda de saúde do Estado, teria atualmente um dos piores desempenhos do Amazonas justamente na porta de entrada do SUS, segundo os dados citados por Saraiva.
Foto – Alex Gomes / Secom