Estado contabilizou mais de 21 mil ocorrências no primeiro semestre deste ano, alta de 5% em relação ao mesmo período de 2025
Vinte anos após a sanção da Lei Maria da Penha, o Amazonas continua enfrentando números preocupantes de violência doméstica contra a mulher. Dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) apontam que o estado registrou 21.007 ocorrências entre janeiro e junho de 2026, o equivalente a uma média de 116 casos por dia ou cerca de cinco registros por hora.
Em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas 20.011 ocorrências, houve um aumento de aproximadamente 5% nos registros.
Criada em 7 de agosto de 2006, a Lei Maria da Penha é considerada um dos principais instrumentos de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. A legislação ampliou mecanismos de proteção, como as medidas protetivas de urgência, e fortaleceu a atuação das delegacias e juizados especializados.
Crescimento dos registros
Segundo o painel de indicadores da SSP-AM, as ocorrências envolvem crimes como ameaça, injúria, lesão corporal, perseguição (stalking) e vias de fato.
O mês de março foi o que concentrou o maior número de registros no primeiro semestre de 2026, com aproximadamente quatro mil ocorrências.
Perfil das vítimas
Levantamento realizado pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), com base em entrevistas realizadas ao longo de 2025, mostra que a maioria das mulheres atendidas pelos Juizados Maria da Penha tem entre 18 e 52 anos, é negra, possui filhos e enfrenta vulnerabilidade econômica.
A pesquisa também aponta que 82,6% das vítimas vivem sem renda ou recebem até um salário mínimo, fator que contribui para a dificuldade de romper o ciclo da violência.
Entre os tipos de violência registrados, a psicológica aparece como a mais recorrente (29,2%), seguida da violência moral (28,9%) e da violência física (21,7%).
Os dados revelam ainda que ex-companheiros representam 38,9% dos autores das agressões, enquanto ex-maridos correspondem a 18,1% dos casos.
Perfil dos agressores
Entre os homens entrevistados na pesquisa, 46,8% afirmaram não reconhecer que praticaram violência contra a mulher, enquanto 39,7% disseram que a vítima teria contribuído para a agressão.
Além disso, 88,9% declararam não se considerar machistas, mesmo respondendo a processos relacionados à violência doméstica.
Como denunciar
Mulheres em situação de violência podem buscar atendimento nas Delegacias Especializadas em Crimes Contra a Mulher, acionar a Polícia Militar pelo telefone 190 ou procurar orientação por meio da Central de Atendimento à Mulher, pelo Ligue 180, serviço gratuito que funciona 24 horas em todo o país.